16 novembro 2016

Reunião na CIA em novembro de 2016 [1]

Paulo Metri – conselheiro do Clube de Engenharia

Em torno de imensa mesa, no escritório central desta agência, em Langley, estão acomodadas cerca de vinte pessoas. Em uma cabeceira, está o anfitrião que inicia a reunião:

- Faz um ano e dez meses que nos reunimos nesta mesma sala. Tivemos enorme sucesso com a nossa trama, elaborada a partir daquela reunião. Muitos dos que aqui estavam no passado voltaram hoje. Devemos analisar a situação do Brasil, novamente, e discutirmos ações para não perdermos o controle. Contudo, é interessante recapitular o que conseguimos realizar no período entre as duas reuniões, inclusive para situar novos integrantes. Por favor, tenha a palavra, Greg.

- Pois não. A nossa grande vitória, no período, foi a expulsão da presidente eleita e a colocação em seu lugar de um colaborador antigo nosso. A trama arquitetada funcionou esplendidamente. Os representantes do Judiciário, do Ministério Público, da Polícia e da classe política, por nós cooptados e treinados representaram seus papéis magistralmente. A mídia, dominada há anos por nós, atuou também com extrema perfeição, conseguindo convencer a maioria da população que a honesta presidente tinha participado de deslizes éticos. É conhecido que a mídia dominada faz o povo do país agir contra seus próprios interesses. Além disso, a dominação através da mídia é mais barata do que a militar e tem a vantagem de deixar a população satisfeita, dentro do mundo irreal criado por ela, o que não acontece com a dominação através da força bruta.

- Seria interessante, agora, você nos expor o que acontece atualmente no Brasil.

- Sim. Infelizmente, o vice na chapa da presidente eleita, que tomou posse após nossa trama, não é das mentes mais brilhantes e não seria a nossa preferência, se fosse possível escolher. Apesar dos esforços que nossa mídia fez para melhorar a sua imagem, a maioria da população o rejeita e a seu governo. Sabíamos sobre as suas limitações, tanto que mandamos mensagem a ele que quem iria governar de fato seria o Ministro da Fazenda, mas como uma “eminência parda”. Não tínhamos outra opção, a menos que o golpe pudesse ficar bem mais caracterizado.

- Não se esqueça de explicar o que nos surpreendeu.

- Certo. Em parte por causa do mau ator que está na Presidência, mas também devido a uma resposta rápida de sindicalistas, movimentos sociais, associações de classe, artistas, intelectuais, partidos e militantes de esquerda ou nacionalistas, através da mídia alternativa, nossa trama começou a ser desmascarada.

- Não houve controle da mídia alternativa?

- Está-se tentando este controle, tanto que muitas delas estão pedindo suporte financeiro aos leitores. Consta que a única revista semanal de esquerda, Carta Capital, e uma das mais antigas revistas mensais de esquerda, Caros Amigos, correm o risco de sair do mercado. Vejam bem, essas mídias têm motivação ideológica, pois são capazes de quebrar a serem cooptados. Por outro lado, havíamos abandonado nossa mídia, porque eles, sentindo-se muito importantes, estavam reivindicando mais retorno. Nosso mau ator ou alguém que trabalha com ele estava criando dificuldades. Mas isso já foi corrigido e, como exemplo, a Globo e a Abril acabaram de receber quantias vultosas.

- Podemos ficar tranquilos que o pior já passou e a dominação continuará?

- Não. Por uma razão simples. A esquerda realmente tem o interesse de satisfazer a sociedade. Alguns de seus representantes andaram metendo os pés pelas mãos, para felicidade nossa. Assim, se são dadas explicações verdadeiras à sociedade, ela vai querer o que é melhor para ela. Nós precisamos de grande dose de criatividade para declarar objetivos, que não são os nossos verdadeiros, e conseguir ludibriar a população. No nosso caso, qualquer mínimo tropeço pode ser fatal. Por exemplo, o cidadão que colocamos na Presidência pensou em nos satisfazer e está propondo virar o Brasil de cabeça para baixo do dia para noite. Ele pensa que não existirá a solidariedade entre os desafortunados? Que não ficará óbvia a nossa trama? O pessoal que será prejudicado com os cortes na saúde se solidarizará com os que terão seus salários, pensões e aposentadorias comprimidas, ambos se solidarizarão com os estudantes que perderão uma boa educação, todos marcharão junto aos petroleiros em protesto contra a dilaceração da Petrobras e, por aí, vai. Está sendo provado que as esquerdas não se solidarizam só na cadeia. Solidarizam-se também em momentos de grande opressão, como o que está sendo providenciado, hoje, pelo mau ator e, também, pelo Ministro da Fazenda.

- Como assim?

- Vamos analisar, em detalhe, o momento atual. Foram mandados para o Congresso, simultaneamente, propostas de emenda à Constituição (PEC), projetos de lei (PL) e medidas provisórias (MP), sobre uma variedade de temas. Há a PEC que reduz os gastos públicos nos próximos 20 anos, permitindo cortes em orçamentos deste período, na educação, saúde, mobilidade urbana e outras áreas. Existe a MP que reformula o ensino médio. Acabou de ser aprovado o PL que “flexibiliza” a exploração do Pré-Sal. Fala-se muito da reforma da previdência, que certamente é o tema mais sensível de todos. Está-se providenciando também a reforma política, de enorme interesse dos próprios votantes desta reforma. Está na lista de espera também a reforma trabalhista, quase tão explosiva quanto a previdenciária, onde se ouve falar que o acordado irá prevalecer sobre o legislado. Para aumentar a confusão, o presidente do Senado ameaça colocar em pauta o projeto de lei relativo ao abuso de autoridade.

- E o povo o que acha?

- O brasileiro, que é um povo bastante dócil, não deve aguentar tanto massacre! Estas reformas são comunicadas, à exaustão, como sendo necessárias para a retomada do crescimento. Porem, esta retomada nunca virá por estas providências. Todas elas visam garantir os recursos para o pagamento de uma dívida, que talvez seja inexistente. Servem também para aumentar os lucros dos empresários à custa da pauperização dos trabalhadores. Como já foi dito, Meirelles é um homem de confiança nosso e ele acha possível a implantação deste plano tão excludente com essa rapidez. Houve discussão entre nós, pois uma corrente achava que este massacre iria acordar as massas brasileiras. Outros apostavam em que a nossa mídia iria camuflar tudo e o povo aceitaria o sofrimento na esperança de chegar algo, que verdadeiramente nunca ocorrerá. O comando resolveu aceitar a posição do Ministro. Enquanto isso, piorando o clima político, o ator desastrado fez mais, pois nomeou seu ministério sem nenhuma mulher e nenhum negro, deu aumentos polpudos para juízes e outras classes privilegiadas, enquanto o aumento do salário do povo era mínimo, nomeou ministros polêmicos, como o da Educação, que prega a “Escola sem partido”, dentre outras medidas.

- Mas, nos digam o que vai resultar de tudo isso?

- Esta pergunta é difícil de responder exatamente porque optamos pelo caminho mais rápido, com maiores incertezas. Tudo vai depender da conscientização do povo, que é função da capacidade de enganar da mídia tradicional, principalmente dos telejornais, grande influenciador da opinião das massas, da interferência da mídia alternativa na mesma formação de opinião das massas, do comportamento de grandes lideranças etc. Estamos tendo desavenças entre grupos de nossos apoiadores, todos com interesses nas eleições de 2018. Não podemos, com grande antecipação, apoiar qualquer grupo que deseja chegar à Presidência. Já apoiamos o PSDB no passado. Aliás, fomos responsáveis por sua chegada à Presidência com o perfeito plano de conquista do poder proporcionado pelo real. E, nesta época, o PSDB cumpriu todas as promessas que fez conosco. Agora, o PMDB passou a ter também um projeto de poder para 2018, possivelmente com o atual presidente. Este quer chegar em 2018 com todas as reformas que indicamos implantadas e exigir reciprocidade. Por isso ele tem pressa em fazê-las passar, para demonstrar competência.

- Mas, ele não é corrupto também?

- É o que um delator da Lava Jato diz! No Brasil, há muito tempo, tem corrupção na política com raras exceções. Em quase todos os partidos, há corruptos, sim! Nosso plano de chamar a atenção para os casos do PT deu certo. Não queremos mais o PT, nem Lula e nem Dilma no poder. E, sobre este tópico, existe uma versão errada: não queremos mais eles à frente do Brasil, não pela inclusão social que eles promoveram desde que ela não comprometesse as retiradas dos nossos investidores no Brasil. Não os queremos pelas iniciativas de soberania com desafio à nossa hegemonia. Paralisaram as privatizações. Elaboraram um Plano Nacional de Defesa, no qual os potenciais inimigos não eram mais os comunistas brasileiros, os narcotraficantes colombianos e o MST. Passaram a considerar como inimigas as Forças Armadas estrangeiras que buscariam se apropriar do Pré-Sal ou de área da Amazônia. Ousaram ter submarino nuclear, caças com o conhecimento da tecnologia e a ultracentrifugação de urânio. Participaram da criação dos BRICS. Aventaram a possibilidade de fazerem comércio só com as cinco moedas do bloco e, não, com o dólar. Criaram o Banco e o Fundo Monetário dos BRICS. Incrementaram o comércio com a África e com os países árabes. Participaram ativamente do MERCOSUL. Criaram a UNASUL e a CELAC. Colocaram-se como mediador entre o Irã e os Estados Unidos, quando deveriam nos apoiar. As empresas de engenharia brasileiras passaram a receber financiamento para os serviços vendidos no exterior, deslocando empresas norte-americanas. Criaram um novo marco regulatório para o Pré-Sal, quando deveria continuar valendo a Lei das Concessões. Enfim, o Brasil estava tomando posições de um nascente hegemon. E futuros competidores devem ser frustrados ao nascer, enquanto ainda são frágeis.

- E o tal juiz Moro e os procuradores de Curitiba? Onde ficam neste contexto?

- Eles fazem parte do sistema implantado. Está certo que eles tiveram e têm papéis fundamentais, que estão sendo bem desempenhados. Mas são só peças no tabuleiro.

- Uma pergunta que todos devem estar formulando. Com a nova administração Trump, tudo muda?

- Como representante do governo norte-americano, eu não sei lhe responder. Pensamos, inclusive, em cancelar esta reunião. Mas, como a havíamos convocado, há muito tempo, não quisemos mudar.

- Vocês pensaram que a Hillary iria ganhar! Mas o que vai acontecer agora?

- A partir de agora, abstraindo-se das eventuais novas diretrizes, dois caminhos poderão ser trilhados e eles se diferenciam pela percepção ou não da sociedade brasileira do que está ocorrendo. Se ela perceber, muito do que conseguimos até agora poderá ser perdido. No entanto, se continuarmos a ludibriar a sociedade, teremos a vitória total. E o Brasil será uma simples colônia.

[1] Não é indispensável, a leitura do artigo anterior “Reunião na CIA em janeiro de 2015”, disponível em: http://paulometri.blogspot.com.br/2016/08/reuniao-na-cia-em-janeiro-de-2015.html

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