16 novembro 2016

Reunião na CIA em novembro de 2016 [1]

Paulo Metri – conselheiro do Clube de Engenharia

Em torno de imensa mesa, no escritório central desta agência, em Langley, estão acomodadas cerca de vinte pessoas. Em uma cabeceira, está o anfitrião que inicia a reunião:

- Faz um ano e dez meses que nos reunimos nesta mesma sala. Tivemos enorme sucesso com a nossa trama, elaborada a partir daquela reunião. Muitos dos que aqui estavam no passado voltaram hoje. Devemos analisar a situação do Brasil, novamente, e discutirmos ações para não perdermos o controle. Contudo, é interessante recapitular o que conseguimos realizar no período entre as duas reuniões, inclusive para situar novos integrantes. Por favor, tenha a palavra, Greg.

- Pois não. A nossa grande vitória, no período, foi a expulsão da presidente eleita e a colocação em seu lugar de um colaborador antigo nosso. A trama arquitetada funcionou esplendidamente. Os representantes do Judiciário, do Ministério Público, da Polícia e da classe política, por nós cooptados e treinados representaram seus papéis magistralmente. A mídia, dominada há anos por nós, atuou também com extrema perfeição, conseguindo convencer a maioria da população que a honesta presidente tinha participado de deslizes éticos. É conhecido que a mídia dominada faz o povo do país agir contra seus próprios interesses. Além disso, a dominação através da mídia é mais barata do que a militar e tem a vantagem de deixar a população satisfeita, dentro do mundo irreal criado por ela, o que não acontece com a dominação através da força bruta.

- Seria interessante, agora, você nos expor o que acontece atualmente no Brasil.

- Sim. Infelizmente, o vice na chapa da presidente eleita, que tomou posse após nossa trama, não é das mentes mais brilhantes e não seria a nossa preferência, se fosse possível escolher. Apesar dos esforços que nossa mídia fez para melhorar a sua imagem, a maioria da população o rejeita e a seu governo. Sabíamos sobre as suas limitações, tanto que mandamos mensagem a ele que quem iria governar de fato seria o Ministro da Fazenda, mas como uma “eminência parda”. Não tínhamos outra opção, a menos que o golpe pudesse ficar bem mais caracterizado.

- Não se esqueça de explicar o que nos surpreendeu.

- Certo. Em parte por causa do mau ator que está na Presidência, mas também devido a uma resposta rápida de sindicalistas, movimentos sociais, associações de classe, artistas, intelectuais, partidos e militantes de esquerda ou nacionalistas, através da mídia alternativa, nossa trama começou a ser desmascarada.

- Não houve controle da mídia alternativa?

- Está-se tentando este controle, tanto que muitas delas estão pedindo suporte financeiro aos leitores. Consta que a única revista semanal de esquerda, Carta Capital, e uma das mais antigas revistas mensais de esquerda, Caros Amigos, correm o risco de sair do mercado. Vejam bem, essas mídias têm motivação ideológica, pois são capazes de quebrar a serem cooptados. Por outro lado, havíamos abandonado nossa mídia, porque eles, sentindo-se muito importantes, estavam reivindicando mais retorno. Nosso mau ator ou alguém que trabalha com ele estava criando dificuldades. Mas isso já foi corrigido e, como exemplo, a Globo e a Abril acabaram de receber quantias vultosas.

- Podemos ficar tranquilos que o pior já passou e a dominação continuará?

- Não. Por uma razão simples. A esquerda realmente tem o interesse de satisfazer a sociedade. Alguns de seus representantes andaram metendo os pés pelas mãos, para felicidade nossa. Assim, se são dadas explicações verdadeiras à sociedade, ela vai querer o que é melhor para ela. Nós precisamos de grande dose de criatividade para declarar objetivos, que não são os nossos verdadeiros, e conseguir ludibriar a população. No nosso caso, qualquer mínimo tropeço pode ser fatal. Por exemplo, o cidadão que colocamos na Presidência pensou em nos satisfazer e está propondo virar o Brasil de cabeça para baixo do dia para noite. Ele pensa que não existirá a solidariedade entre os desafortunados? Que não ficará óbvia a nossa trama? O pessoal que será prejudicado com os cortes na saúde se solidarizará com os que terão seus salários, pensões e aposentadorias comprimidas, ambos se solidarizarão com os estudantes que perderão uma boa educação, todos marcharão junto aos petroleiros em protesto contra a dilaceração da Petrobras e, por aí, vai. Está sendo provado que as esquerdas não se solidarizam só na cadeia. Solidarizam-se também em momentos de grande opressão, como o que está sendo providenciado, hoje, pelo mau ator e, também, pelo Ministro da Fazenda.

- Como assim?

- Vamos analisar, em detalhe, o momento atual. Foram mandados para o Congresso, simultaneamente, propostas de emenda à Constituição (PEC), projetos de lei (PL) e medidas provisórias (MP), sobre uma variedade de temas. Há a PEC que reduz os gastos públicos nos próximos 20 anos, permitindo cortes em orçamentos deste período, na educação, saúde, mobilidade urbana e outras áreas. Existe a MP que reformula o ensino médio. Acabou de ser aprovado o PL que “flexibiliza” a exploração do Pré-Sal. Fala-se muito da reforma da previdência, que certamente é o tema mais sensível de todos. Está-se providenciando também a reforma política, de enorme interesse dos próprios votantes desta reforma. Está na lista de espera também a reforma trabalhista, quase tão explosiva quanto a previdenciária, onde se ouve falar que o acordado irá prevalecer sobre o legislado. Para aumentar a confusão, o presidente do Senado ameaça colocar em pauta o projeto de lei relativo ao abuso de autoridade.

- E o povo o que acha?

- O brasileiro, que é um povo bastante dócil, não deve aguentar tanto massacre! Estas reformas são comunicadas, à exaustão, como sendo necessárias para a retomada do crescimento. Porem, esta retomada nunca virá por estas providências. Todas elas visam garantir os recursos para o pagamento de uma dívida, que talvez seja inexistente. Servem também para aumentar os lucros dos empresários à custa da pauperização dos trabalhadores. Como já foi dito, Meirelles é um homem de confiança nosso e ele acha possível a implantação deste plano tão excludente com essa rapidez. Houve discussão entre nós, pois uma corrente achava que este massacre iria acordar as massas brasileiras. Outros apostavam em que a nossa mídia iria camuflar tudo e o povo aceitaria o sofrimento na esperança de chegar algo, que verdadeiramente nunca ocorrerá. O comando resolveu aceitar a posição do Ministro. Enquanto isso, piorando o clima político, o ator desastrado fez mais, pois nomeou seu ministério sem nenhuma mulher e nenhum negro, deu aumentos polpudos para juízes e outras classes privilegiadas, enquanto o aumento do salário do povo era mínimo, nomeou ministros polêmicos, como o da Educação, que prega a “Escola sem partido”, dentre outras medidas.

- Mas, nos digam o que vai resultar de tudo isso?

- Esta pergunta é difícil de responder exatamente porque optamos pelo caminho mais rápido, com maiores incertezas. Tudo vai depender da conscientização do povo, que é função da capacidade de enganar da mídia tradicional, principalmente dos telejornais, grande influenciador da opinião das massas, da interferência da mídia alternativa na mesma formação de opinião das massas, do comportamento de grandes lideranças etc. Estamos tendo desavenças entre grupos de nossos apoiadores, todos com interesses nas eleições de 2018. Não podemos, com grande antecipação, apoiar qualquer grupo que deseja chegar à Presidência. Já apoiamos o PSDB no passado. Aliás, fomos responsáveis por sua chegada à Presidência com o perfeito plano de conquista do poder proporcionado pelo real. E, nesta época, o PSDB cumpriu todas as promessas que fez conosco. Agora, o PMDB passou a ter também um projeto de poder para 2018, possivelmente com o atual presidente. Este quer chegar em 2018 com todas as reformas que indicamos implantadas e exigir reciprocidade. Por isso ele tem pressa em fazê-las passar, para demonstrar competência.

- Mas, ele não é corrupto também?

- É o que um delator da Lava Jato diz! No Brasil, há muito tempo, tem corrupção na política com raras exceções. Em quase todos os partidos, há corruptos, sim! Nosso plano de chamar a atenção para os casos do PT deu certo. Não queremos mais o PT, nem Lula e nem Dilma no poder. E, sobre este tópico, existe uma versão errada: não queremos mais eles à frente do Brasil, não pela inclusão social que eles promoveram desde que ela não comprometesse as retiradas dos nossos investidores no Brasil. Não os queremos pelas iniciativas de soberania com desafio à nossa hegemonia. Paralisaram as privatizações. Elaboraram um Plano Nacional de Defesa, no qual os potenciais inimigos não eram mais os comunistas brasileiros, os narcotraficantes colombianos e o MST. Passaram a considerar como inimigas as Forças Armadas estrangeiras que buscariam se apropriar do Pré-Sal ou de área da Amazônia. Ousaram ter submarino nuclear, caças com o conhecimento da tecnologia e a ultracentrifugação de urânio. Participaram da criação dos BRICS. Aventaram a possibilidade de fazerem comércio só com as cinco moedas do bloco e, não, com o dólar. Criaram o Banco e o Fundo Monetário dos BRICS. Incrementaram o comércio com a África e com os países árabes. Participaram ativamente do MERCOSUL. Criaram a UNASUL e a CELAC. Colocaram-se como mediador entre o Irã e os Estados Unidos, quando deveriam nos apoiar. As empresas de engenharia brasileiras passaram a receber financiamento para os serviços vendidos no exterior, deslocando empresas norte-americanas. Criaram um novo marco regulatório para o Pré-Sal, quando deveria continuar valendo a Lei das Concessões. Enfim, o Brasil estava tomando posições de um nascente hegemon. E futuros competidores devem ser frustrados ao nascer, enquanto ainda são frágeis.

- E o tal juiz Moro e os procuradores de Curitiba? Onde ficam neste contexto?

- Eles fazem parte do sistema implantado. Está certo que eles tiveram e têm papéis fundamentais, que estão sendo bem desempenhados. Mas são só peças no tabuleiro.

- Uma pergunta que todos devem estar formulando. Com a nova administração Trump, tudo muda?

- Como representante do governo norte-americano, eu não sei lhe responder. Pensamos, inclusive, em cancelar esta reunião. Mas, como a havíamos convocado, há muito tempo, não quisemos mudar.

- Vocês pensaram que a Hillary iria ganhar! Mas o que vai acontecer agora?

- A partir de agora, abstraindo-se das eventuais novas diretrizes, dois caminhos poderão ser trilhados e eles se diferenciam pela percepção ou não da sociedade brasileira do que está ocorrendo. Se ela perceber, muito do que conseguimos até agora poderá ser perdido. No entanto, se continuarmos a ludibriar a sociedade, teremos a vitória total. E o Brasil será uma simples colônia.

[1] Não é indispensável, a leitura do artigo anterior “Reunião na CIA em janeiro de 2015”, disponível em: http://paulometri.blogspot.com.br/2016/08/reuniao-na-cia-em-janeiro-de-2015.html

02 novembro 2016

Escolha racional do modelo de exploração do Pré-Sal

Paulo Metri – conselheiro do Clube de Engenharia

O mercado internacional do petróleo sofre com o desaquecimento da economia mundial. É influenciado por grupos relacionados a novas tecnologias, interessados em capturar fatias deste mercado. A magnitude das reservas descobertas no planeta impacta o mercado. O cartel dos países exportadores (a OPEP) e as grandes petrolíferas de países que não estão na OPEP são atores ativos neste mercado. Grandes petrolíferas internacionais disputam as reservas dos países socialmente desorganizados, militarmente fracos e politicamente dominados. Como consequência, há forte disputa geopolítica, relacionada à garantia do suprimento deste energético essencial no médio prazo. Assim, quem diz que o petróleo é uma simples commodity está querendo enganar.
Daniel Yergin [1], no livro “O petróleo, uma história de ganância, dinheiro e poder”, resume magistralmente a importância estratégica do petróleo: “A energia é a base da sociedade industrializada. E, entre todas as fontes de energia, o petróleo vem se mostrando a maior e a mais problemática devido ao seu papel central, ao seu caráter estratégico, à sua distribuição geográfica, ao padrão recorrente de crise em seu fornecimento – e à inevitável e irresistível tentação de tomar posse de suas recompensas (...) Ele vem tornando possível nossa vida cotidiana e, literalmente, nosso pão de cada dia, através de produtos químicos, agrícolas e dos transportes. Ele tem abastecido, ainda, as lutas globais por supremacia política e econômica. Muito sangue tem sido derramado em seu nome. A feroz e, muitas vezes, violenta busca pelo petróleo – e pela riqueza e poder inerentes a ele – irão continuar com certeza enquanto ele ocupar essa posição central. Pois o nosso é um século no qual cada faceta de nossa civilização vem sendo transformada pela moderna e hipnotizante alquimia do petróleo.
Atribui-se a John D. Rockfeller [2] uma citação do seguinte teor: "o melhor negócio do mundo é uma companhia de petróleo bem administrada, o segundo melhor negócio do mundo é uma companhia de petróleo medianamente administrada e o terceiro melhor é uma companhia de petróleo mal administrada". Ou seja, o setor de petróleo tende a render, em um horizonte de avaliação de médio prazo, lucros extraordinários. O problema das sociedades dos países onde reservas consideráveis de petróleo ocorrem é fazer fluir para a sociedade os lucros do petróleo e as oportunidades criadas pela sua existência.
Na História, pode-se constatar que alguns países com reservas de petróleo perderam a oportunidade de se desenvolver devido inclusive a modelos de exploração que não garantiam o fluxo do lucro e das oportunidades para a sociedade. Caso típico foi a exploração de petróleo durante anos na Venezuela, logo após a descoberta de petróleo neste país em 1928. As majors [3] pagavam subornos para o ditador Gomez e seus asseclas, que permitiam a exploração e a produção de petróleo, enquanto o Estado venezuelano nada recebia e, assim, a sociedade em nada se beneficiava. Infelizmente, este modelo de subtração de benefícios da sociedade não se restringiu à Venezuela, tendo ocorrido também com a Nigéria, o Sudão, a Argélia, a Indonésia, o Irã, o Iraque, a Líbia, dentre outros.
Não só pelo lucro proporcionado pela exploração do petróleo, mas também pelo poderio que ele acarreta, governos foram depostos, ditadores impostos, lideranças assassinadas ou exiladas, o ambientalista Ken Saro-Wiwa foi enforcado, guerras sangrentas ocorreram, etnias foram perseguidas, além de inúmeras outras atrocidades. [4] Há pouco tempo, o Iraque foi invadido por possuir, segundo Bush filho afirmava, arma de destruição em massa e financiar o terrorismo, o que se comprovou não ser verdade, mas a sua reserva de pelo menos 115 bilhões de barris foi entregue às empresas ocidentais de países financiadores da invasão.
Desta forma, é justo dizer que o lucro excepcional do petróleo do Pré-Sal pertence aos nascidos no Brasil, assim como, os demais benefícios derivados de sua existência devem gerar o máximo usufruto para os brasileiros. No entanto, “aves de rapina”, como bem disse Getúlio Vargas na sua Carta Testamento, trabalham incessantemente para ficar com a maior parte do lucro e dos benefícios. É da mesma carta o seguinte trecho: “Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma.” Proponho, como forma de se contrapor a esta usurpação, basicamente o uso da racionalidade.
A natureza “colocou”, no mínimo, 100 bilhões de barris de petróleo de boa qualidade, dentro do nosso território, na área do Pré-Sal, podendo chegar a mais de 170 bilhões de barris. O que se deveria discutir em relação ao modelo de exploração do Pré-Sal é, em primeiro lugar, como deve ser repartido o excedente petrolífero ou lucro líquido desta atividade. Mas devia-se discutir também se a atividade petrolífera deve ser usada para que metas de políticas públicas sejam atingidas. Os conservadores buscam encerrar a discussão proveitosa, manipulando o debate ao dizer somente que a abertura de mercado proposta por eles irá aumentar a produção de petróleo do país e o número de empresas atuando no país, sem provar que esta proposta é a melhor opção para a sociedade.
Existe um diálogo interessante em “Alice no país das maravilhas”, [5]entre Alice e o gato. Ela pergunta: “Para onde vai essa estrada?” O gato responde: “Para onde você quer ir?” Alice volta a dizer: “Eu não sei, estou perdida.” E o gato responde: “Para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve.” Trazendo este conceito para a disputa, atualmente cheia de camuflagem, sobre o melhor modelo de funcionamento para o setor de petróleo, pode-se dizer que, se não são conhecidos os objetivos deste setor, qualquer modelo serve. Assim, passo a sugerir os objetivos sociais, mostrados a seguir, como sendo os principais a serem alcançados pelo setor de petróleo, podendo ser chamados de objetivos do interesse nacional, e que servirão para avaliar os modelos de exploração das reservas de petróleo do país:
a)      Abastecer a demanda nacional de derivados e petroquímicos.
b)     Garantir um fluxo constante de recursos financeiros de vulto para o Estado, retirado do excedente petrolífero (lucro líquido).
c)      Exportar os excedentes da produção de petróleo, se eles estiverem com o maior valor agregado possível (derivados, produtos petroquímicos etc). Em situações especiais, a exportação de petróleo in natura pode ser aceita. Além disso, a qualquer momento, as reservas remanescentes devem ter a capacidade de abastecer o país por, no mínimo, os próximos 20 anos.
d)     Ativar a economia, através da maximização das compras locais.
e)      Aumentar a geração de empregos no país.
f)       Maximizar a encomenda de desenvolvimentos tecnológicos no país.
g)      Minimizar a saída de divisas do país, por exemplo, através da remessa de lucros.
h)     Nunca produzir petróleo de forma predatória.
i)        Garantir ao máximo a segurança operacional.
j)        Tomar todas as precauções para evitar danos ambientais.
k)      Permitir ao Estado brasileiro ter controle sobre a produção de petróleo do país, adequando-a a seus interesses.
l)        Possibilitar ao Estado ter efetivo conhecimento sobre o volume e os custos da produção, sem precisar montar apurado sistema de controle.
m)   Possibilitar ao Brasil a adoção de ações geopolíticas e estratégicas, o que só ocorre se o Estado brasileiro detiver a posse de parte do petróleo produzido.
Para exemplificar o uso desta metodologia, vai-se utilizar um caso real. Trata-se de comparar os dois modelos de contratos de partilha que estavam em discussão até bem pouco tempo: o contrato de partilha original, conforme a lei 12.351 de 2010, e este mesmo contrato modificado pelo projeto de lei 4.567 recém-aprovado. Então, as alternativas a serem comparadas são: (1) contrato de partilha com a Petrobras sendo a operadora de cada consórcio do Pré-Sal e participando, no mínimo, com 30% dos investimentos de cada consórcio e (2) contrato de partilha sem a obrigatoriedade de a Petrobras ser a operadora única do Pré-Sal e sem um limite mínimo de participação desta empresa nos consórcios.
Sob o ponto de vista do critério de julgamento do atendimento à demanda nacional (item a) pode-se dizer que tanto a alternativa (1) quanto a (2) podem atender igualmente à demanda nacional, apesar de que, em uma situação de escassez, a Petrobras terá maior compromisso com o abastecimento nacional. Também, as petrolíferas estrangeiras são incapazes de participar da constituição de um estoque estratégico para o país, que o abasteceria em caso de emergência, se uma escassez prolongada ocorresse. No entanto, a Petrobras participaria, ganhando, assim, a alternativa (1). Quanto ao critério da garantia de fluxo financeiro para o Estado (item b), as duas alternativas se diferenciam bem. Como a Petrobras não subfatura suas exportações de petróleo e não superfatura as importações de máquinas, equipamentos e materiais, como a Petrobras não usa providências expeditas para minimizar o pagamento de tributos, o que ela paga de tributos ao Estado é maior do que as petrolíferas estrangeiras pagariam, se estivessem no mesmo campo. Desta forma, a alternativa (1) é melhor neste critério.
Quanto às restrições à exportação de petróleo (item c), a alternativa (1) é certamente melhor, pois as empresas estrangeiras só querem retirar o máximo de petróleo do subsolo e exportá-lo in natura, à medida que precisam abastecer suas refinarias no exterior ou querem auferir lucro no curto prazo. Quanto à maximização das compras locais (item d), basta observar o passado para concluir que a empresa que mais compra no país é a Petrobras. Aliás, desde a quebra do monopólio e a entrada das multinacionais do petróleo no país, há 19 anos, só a Petrobras contratou plataformas no país. Esta é a razão porque é importante a Petrobras ser a operadora única do Pré-Sal, uma vez que a operadora é quem decide, dentre outras questões, as compras e, sendo a Petrobras a operadora, as compras serão realizadas no país. [6] Assim, quanto ao critério da maximização das compras locais, a alternativa (1), mais uma vez, é a melhor. Sobre esse item, argumentam sempre que os produtos e serviços locais são mais caros que os comprados no exterior. Em primeiro lugar, em todos os países, indústrias nascentes têm preços mais caros e são sempre protegidas pelo Estado. Depois, o setor do petróleo, assim como qualquer outro da economia, não pode ser visto de forma isolada. Todos eles têm influência nos demais e o que se deseja é o desenvolvimento da economia como um todo e, não, o desenvolvimento de um setor isolado. Assim, a compra pela Petrobras de determinado produto ou serviço um pouco mais caro pode ser muito melhor que comprá-lo no exterior, devido ao impacto causado na cadeia produtiva e na economia.
Quanto ao critério de julgamento das alternativas que fala da maximização da geração de empregos no país (item e), é preciso explicar que a fase de grande geração de emprego neste setor é a do desenvolvimento do campo, especificamente durante a construção da plataforma. A geração de empregos durante a prospecção e a produção é insignificante. Desta forma, quem compra plataformas no país é também quem mais gera empregos, sendo necessário, portanto, que a Petrobras seja a operadora de todos os consórcios do Pré-Sal para poder atender a este critério, o que significa que a melhor alternativa é novamente a (1). Quanto ao critério de julgamento da maximização da encomenda no país de desenvolvimentos tecnológicos (item f), mais uma vez, quem os contrata no país é somente a Petrobras. Então, se esta empresa for a operadora de todos os consórcios, que é o caso da alternativa (1), esta maximização estará garantida.
Quanto ao critério de julgamento da minimização da saída de divisas (item g), é preciso estar ciente que, se não for a Petrobras, o operador do campo será uma petrolífera estrangeira e todas elas irão remeter a sua parcela do lucro do empreendimento para a matriz no exterior, utilizando divisas na remessa. A parcela do lucro que fica com a Petrobras, retirados os dividendos aos acionistas e outros pagamentos, é reinvestido basicamente no Brasil, sem remeter divisas. Desta forma, a alternativa (1) novamente satisfaz melhor este critério. Quanto ao critério da proibição da produção predatória de petróleo (item h), é fácil compreender que a única empresa das atuantes no Pré-Sal que não é motivada a produzir predatoriamente é a Petrobras. As petrolíferas estrangeiras querem rapidamente realizar o lucro do negócio, pois este fato maximiza a rentabilidade. Só uma empresa do Estado pode colocar acima da rentabilidade, a recuperação máxima de petróleo do campo. Assim, a Petrobras precisa ser a operadora de todos os campos do Pré-Sal, que é a alternativa (1), para em todos eles não ocorrer produção predatória.
Quanto aos dois critérios de julgamento de maximizar a segurança operacional (item i) e de minimizar os impactos ao meio ambiente (item j), só uma empresa do Estado, que prioriza estes critérios acima da lucratividade do empreendimento, é que pode os satisfazer plenamente. Portanto, a alternativa (1) ganha em ambos os critérios.
O seguinte critério de julgamento refere-se a uma adequação da produção do país ao interesse nacional (item k). Suponha que, em determinado momento, só há petróleo conhecido para mais cinco anos de produção, pois as descobertas dos últimos anos não compensaram a produção destes anos. Se o modelo de organização do setor contemplar basicamente petrolíferas estrangeiras, elas seguirão o cronograma que traz a máxima rentabilidade, que inclui exportar petróleo, enquanto o modelo com a Petrobras irá se prender prioritariamente a objetivos nacionais, significando que a alternativa (1) vence. Com a Petrobras, na situação descrita, se houver produção visando exportação, dentro dos limites técnicos, ela será diminuída. Desenvolvimentos de campos visando exportação serão postergados e muitos recursos serão destinados à exploração. Por outro lado, o Estado ter controle sobre o volume produzido e os custos da produção é importante porque tributos e a parcela do óleo produzido pertencente ao Estado dependem deles (item l). Como a motivação principal das empresas privadas é a maximização do lucro, é normal que parâmetros que influenciam o lucro possam ser manipulados. A Petrobras não tem a mesma motivação para esta manipulação, significando a vitória da alternativa (1).
O último critério de julgamento avalia cada alternativa de organização do setor para verificar se o Estado brasileiro consegue adotar ações geopolíticas e estratégicas (item m). Se o Estado brasileiro entregar o petróleo para petrolíferas estrangeiras e, assim, não tiver a sua posse, ele não consegue realizar estas ações. Então, a alternativa (1) com a Petrobras à frente é melhor também neste critério. Neste ponto, os que buscam introduzir temas em discussões só para confundir, dizem de forma categórica que geopolítica não é algo que se deve considerar em questões objetivas, como a definição de um modelo de organização do setor de petróleo. Donde se conclui que o interesse pela manipulação leva a arrogâncias incríveis. É a hora de se perguntar, por exemplo, por que Hitler foi obrigado a invadir a União Soviética, quando ainda não estava bem preparado? Ou por que, como consequência desta invasão, Stalin discursou para as suas tropas, dizendo: "Lutar pelo nosso petróleo é lutar pela nossa liberdade"?
Pelo que foi analisado, sob todos estes critérios de julgamento, a alternativa (1) é melhor que a (2). Apesar deste fato, o projeto de lei 4.567 passou no Congresso porque outros interesses políticos de grupos o aprovaram. Ele é péssimo para a sociedade brasileira, como já vimos através da aplicação desta metodologia de análise de alternativas de organização do setor. Esta metodologia foi apresentada por mim na Audiência Pública da Comissão Especial de Julgamento do Projeto de Lei no 4.567, na Câmara dos Deputados, em 17/05/2016.
Em vez de participarem de um debate racional, os neoliberais e entreguistas, como sempre, com a intenção de roubar a riqueza alheia e se manterem no poder, e utilizando a desonesta mídia tradicional, não informam, além de mentirem para a população, que desta forma permanece omissa, permitindo a usurpação de seu futuro promissor. Mas os canais alternativos de mídia começam a iluminar as mentes, permitindo que haja esperança de conscientização.




[1] Presidente do Cambridge Energy Research Associates (CERA).
[2] Magnata norte-americano (1839-1937), fundador da Standard Oil e pioneiro da indústria do petróleo.
[3] São as grandes petrolíferas, basicamente privadas, que atuam internacionalmente. Muitas vezes, ocorrem fusões ou petrolíferas menores crescem, atingindo o status de majors. No momento, elas são a Exxon, a Chevron, a Shell, a BP, a Total, além de outras.
[4] Sugiro a leitura do artigo “’Caráter’ das petrolíferas estrangeiras”, sobre este tema, em: http://paulometri.blogspot.com.br/2015/08/carater-das-petroliferas-estrangeiras.html. Ele foi baseado no documentário “O Segredo das Sete Irmãs: A Vergonhosa História do Petróleo”, disponível na internet.
[5] Obra infantil de Charles Lutwidge Dodgson, publicada em 1865.
[6] Refiro-me à posição histórica da Petrobras. Se ela, hoje, tem um administrador alinhado com as posições das petrolíferas estrangeiras, prefiro imaginar que, com o tempo, este erro de nomeação será corrigido. 

09 outubro 2016

The President of Brazil after the coup, Michel Temer, is actually a factor of legal uncertainty

Paulo Metri - Advisor of the Brazilian Society of Engineers (Clube de Engenharia)

The immoral aggression of capital to Brazil's young democracy in recent months, taking advantage of deplorable political figures, makes many conscious Brazilians be depressed. However the human lucidity certainly will come.

The worst members of our Congress staged a coup. They were elected due to a media that controls all information. These politicians played theatrical roles in order to kick out Dilma from the Presidency. Lula and Dilma brought a better life to millions of people in the 13 years that they ruled. To be exact, Lula brought 36 million of starving people to a level still low but where they are no longer hungry.

Many of the Brazilian congressmen that judged Dilma’s administration had some particular interest to condemn her. However, the offside of Dilma was consummated since even the judges were corrupted. Once again, media showed a fair judgment that did not happen. The Brazilian democracy was maculated. Temer, as soon as he was appointed President, started to implement his neoliberal plan, which did not win in the last election of 2014.

As the time advances, justice and democracy may win for despair of capital. It is difficult to explain for a developed country citizen that in Brazil the capital exploitation of the population is immense. When rationality arrives, many of the evil deeds of Temer will be reversed. Unfortunately, some decisions cannot be reversed. Damage promoted cannot be all reversed. For example, some persons will live less years because the budget cuts decided by Temer will mean less money for public health care and worst salaries. Examples of countries that leonine contracts of foreign companies were torn are numerous. All contracts of foreign oil companies in the Middle East at the time of their oil nationalization were disrupted.

Statoil, a state enterprise of the Norwegian government, acquired a participation in the Carcará oil field, owned by Petrobras, for a price at least four times cheaper than the normal price. It is hard to understand what happened. I do not believe that Statoil paid a corruption fee, without any annotation in the books. Has Statoil received this offer from the new board of Petrobras, whose members did not know the value of the oil field?

At this exact moment, international investors are really interested in the infrastructure sale for a cheap price that Temer is promoting. This is a usurpation of belongings of other people. In the future, they may lose what they believe to be their property and may have to compensate damage caused to Brazilian heritage. The foreign investors know that they are buying all very cheap for today prices. It does not matter if the vendors had said that it was a perfect juridical act. What are imperfect are the Brazilian representatives, since they are illegitimate representatives of the Brazilian people. For that reason, it is an imperfect act of sovereignty. At this moment, the country is dominated by external and internal capital forces. The transactions that are being carried out now by Brazilian government are, at least, suspicious. The Brazilian government official may be corrupt and the foreign companies that sealed the transactions may be corruptors.

For example, today, Statoil and its owner, the Norwegian government, must know that they are accomplices and beneficiaries of Carcará theft. Acquire each barrel of oil for the price of a bottle of mineral water is obviously the stolen product purchase. Do not come to argue, in the future, that it was a transaction signed by Petrobras and Statoil and that follows the international laws. Any contract signed in the Temer misrule period is likely to be revised. Centuries ago, in the time of colonies exploited by European countries, this happened. Nevertheless, Norway had not a colony in the New World, or in Africa, and now wants to get one? This does not fit well into the feeling of the Norwegian people.

As time goes by, the population will be other and all that is happening today in Brazil will be understood as unthinkable antidemocratic attitudes. Lies of the politicians, selective persecution of the Federal Police, prosecutors, parliamentarians, judges and the media shall be put aside. At this time, the truth will prevail and harmful contracts to the Brazilian people will be torn. Foreign courts may be activated to support the decision of indemnity for Brazil. The nationalization of all foreign assets acquired using very small prices will be done with redemption prices related to what was paid in the past.

Brazil, rich in mineral resources, discovered a huge oil deposit in 2006, the Pre-Salt. This deposit may have around 170 billion of oil barrels. This is about one tenth of today’s world reserves. All developed country want to consume this oil at a low price and, if its own oil enterprise gets a contract of exploration for a low price, the supply of oil in long term of the foreign country will be solved. About this subject, the Brazilian president who refused to give this oil almost free suffered a political coup and was withdrawal from the Presidency. The substitute president, after the coup, started to give at low price the Brazilian oil, as it was the case of Carcará.

Finally, I say to all usurpers who are planning to assault the Brazilian riches not to take advantage of the moment of confusion in our society. Because, when the society wakes up, all contracts signed in the Temer period, as a principle, will be treated as an illegitimate contract. And if it is really contrary to the national interest, it will be torn. Temer does not represent the Brazilian people, despite all the help of the corrupted media. He is actually a fator of legal uncertainty for contracts signed in Brazil.

02 outubro 2016

Temer, fator de insegurança jurídica

Paulo Metri – conselheiro do Clube de Engenharia

Apesar do domínio do capitalismo sobre a humanidade, existem rasgos esporádicos de lucidez humana se contrapondo à asfixiante dominação. A agressão imoral do capital à democracia brasileira dos últimos meses, valendo-se de figuras deploráveis, merece a ida à sarjeta para derramar um mar de lágrimas.
Os piores integrantes da nossa política deram um golpe. Começaram com uma encenação teatral por Dilma ter utilizado, segundo eles, artimanhas para mostrar números perfeitos de desempenho do seu governo que findava em 2014 e, com isso, conseguir ser reeleita. Neste caso, uma intervenção teria sido necessária para que políticos com interesses próprios na questão não serem os julgadores. Contudo, consumou-se o impedimento de Dilma, sem pruridos, nem ressentimentos por se macular a democracia. Daí, Temer pensou, tal o saco de maldades trazido para a sociedade, algo como: “Somos os vencedores, temos o poder, aos vencidos nenhuma batata”.
Mas, à medida que o mundo gira, em uma destas voltas, a racionalidade, a justiça e a democracia podem vencer para desespero do capital e dos corruptos. Nesta hora, serão revertidos muitos dos maus feitos do Temer. Infelizmente, ficarão máculas, que não poderão ser apagadas. Por exemplo, as vidas ceifadas antes da hora por Temer, por diminuição do atendimento da saúde pública e por diminuição da aposentadoria ou pensão daqueles que menos dinheiro significa menos comida, não poderão ser revertidas.
Os exemplos de países que rasgam contratos leoninos para as suas sociedades, são inúmeros, haja vista todos os contratos de empresas petrolíferas estrangeiras com os países do Oriente Médio na época da nacionalização do petróleo deles. Quero estar presente na hora da reversão para lembrar ao novo governo as doações feitas pelo impostor Temer de Carcará, de ações da BR Distribuidora, da rede de gasodutos, um monopólio natural, o que transforma a venda em criminosa, e por aí, vai.
Não entendo a posição dos investidores internacionais neste momento. Estão pensando que estão fazendo um grande negócio comprando a infraestrutura brasileira a preço de banana? Pois, não estão fazendo negócio algum e poderão ter que ressarcir danos causados ao patrimônio brasileiro. Mas eles sabem que estão comprando tudo muito barato por atos de representantes ilegítimos do povo brasileiro e querem aproveitar o momento de dominação do país. Será que as transações estão sendo realizadas por preços vis porque os falsos brasileiros que assaltaram o poder estão exigindo valores de corrupção “por fora” para os negócios serem fechados com as empresas estrangeiras?
Por exemplo, hoje, a Statoil e o seu proprietário, o governo norueguês, sabem que são cúmplices e beneficiários do roubo de Carcará. Adquirir cada barril de petróleo pelo preço de uma garrafa de água mineral se caracteriza como compra de produto roubado e, no caso, dos brasileiros. Não venham alegar, depois, que o contrato assinado pela Petrobras com a Statoil com a anuência da ANP é um contrato juridicamente perfeito. Todo contrato assinado no período do desgoverno Temer é passível de ser revisto. Acabou a época de colônias exploradas por países europeus, das quais tudo era sugado. A Noruega não teve uma colônia no Novo Mundo, nem na África, e está, agora, querendo recuperar o tempo perdido? Inclusive, isto não coaduna com o sentimento do povo norueguês que conheci.
Depois que o mundo girar, os tempos serão outros e posturas antidemocráticas, o acolhimento de mentiras, a perseguição seletiva da Polícia Federal, do Ministério Público, de parlamentares, de juízes e da mídia, como ocorre hoje, serão impensáveis. Neste tempo, a verdade prevalecerá e os contratos lesivos ao povo serão rasgados. Poderão ser acionados tribunais externos para respaldar as decisões de término das explorações, nacionalização de bens adquiridos a preços vis e resgate para o país do que é do povo brasileiro.
É preciso registrar a outra força indutora do golpe. Um país rico em recursos minerais descobre jazida imensa de bem mineral valioso. O país mais desenvolvido do planeta planeja um golpe para destituir a presidente do país que se nega a fazer a entrega quase gratuita deste bem. O desenvolvido coloca naturais do país, bem treinados, para dar o golpe e, assim, poder começar a exploração. Para alcançar o objetivo, recrutam, compram e corrompem legisladores, servidores públicos, empresas, organizações não governamentais, lideranças, enfim, todos que virão a ser os golpistas.
Aviso aos usurpadores que estiverem de olho nas riquezas brasileiras para não se aproveitarem do momento de confusão da nossa sociedade, pois iremos acordar e todos os contratos assinados na época do ilegítimo Temer poderão ser tratados como ilegítimos, se forem contrários ao interesse nacional. Ele não representa o povo brasileiro e não é por outra razão que não se aventura a participar de eventos públicos, apesar de toda ajuda da mídia vendida. Quando é obrigado a participar, como nas Olimpíadas, é vaiado. O povo já reconhece que ele chegou ao poder através de um golpe. Só falta o povo identificar que a nau Brasil está sendo pilhada pelos piratas que a atacaram.

24 setembro 2016

Entrevista com um coxinha

Paulo Metri – conselheiro do Clube de Engenharia

Um jovem recém-eleito com seu grupo para o Diretório Acadêmico de uma escola de Engenharia ficou encarregado da área de comunicação. Uma de suas primeiras atividades foi fazer uma entrevista com determinado professor para o jornal do Diretório, previamente negociada com a direção da escola. Sem existir determinação expressa, a direção deixou clara sua preferência por uma entrevista que se restringisse a questões curriculares e específicas da cadeira dele. O professor era reconhecido por todos como competente e, também, muito conservador. O jovem, querendo se desvencilhar de uma entrevista anódina, fez a primeira pergunta:
- Por que há tanta pobreza no nosso país?
O professor, muito bem estruturado, responde:
- É resultado da ação de vários fatores, como, por exemplo, o descaso do governo e das famílias, a falta de investimentos no país, graças à falta de estímulo do governo aos empresários. O governo cobra alta taxa de impostos, cria uma burocracia generalizada e não dá incentivo ao empreendedorismo.
- Então, vamos analisar por partes. Em que consiste o descaso do governo que o senhor se refere?
- O governo deveria criar igualdade de oportunidades para todos os cidadãos poderem enfrentar a vida. A partir deste começo com igualdade, alguns iriam se distinguir porque aceitam correr riscos, trabalham com bastante afinco e são responsáveis, obtendo maior retorno do próprio trabalho.
- Então, a igualdade de oportunidades se relaciona com existir escolas, hospitais e demais atendimentos sociais principalmente para os mais pobres. Mas os cortes do atual governo vão ser exatamente nestas áreas. Este governo seria contra a igualdade de oportunidades?
- O governo Temer encontrou o país desgovernado. Tem que fazer cortes para poder honrar os compromissos assumidos.
- O senhor fala de compromissos financeiros. Os compromissos sociais não contam? São menos importantes?
- Temos que honrar as nossas dívidas. Existe a Lei de Responsabilidade Fiscal.
- E com relação às dívidas sociais, podemos ser irresponsáveis? Porque os rentistas são politicamente fortes e o povo, não? Enfim, por que não se diminui a taxa de juros, pelo menos não irão existir tantos compromissos futuros?
- A taxa de juros é fixada para debelar a inflação existente. Às vezes, não se pode diminui-la.
- Existe tese contrária a esta sua afirmação, mas temos outros temas para falar. Por exemplo, a política de cotas nas universidades públicas não visa a melhoria da igualdade de oportunidades?
- Sim. Mas neste caso, consegue-se a melhoria à custa da piora do ensino. A média das notas dos alunos diminui, provando que os cotistas são alunos fracos.
- Esta sua afirmação é contestada por uma pesquisa da UERJ. Nela, é provado que, no cômputo geral, os cotistas são bons alunos. O que o Senhor acha do fato de cerca de 42 milhões de pessoas terem ascendido a uma classe de renda maior no governo Lula?
- Quem disse isto? Porque este número é muito alto.
- Quem disse foi o IBGE. Cerca de 32 milhões saíram da miséria e entraram na categoria de pobres e cerca de dez milhões migraram da pobreza para a classe média. É alto, sim! Trata-se de uma Argentina!
- Entretanto, graças ao governo Dilma, todos já devem ter retornado às suas condições iniciais.
- O senhor acredita que um país pode ter desenvolvimento social em consequência de investimentos estrangeiros?
- Claro. Com novos investimentos no país, novos postos de trabalho serão gerados, além de a arrecadação aumentar, o que proporciona mais recursos para a área social.
- Contudo, pelo comportamento histórico de empresas estrangeiras, constata-se que os seus investimentos tendem a empregar o mínimo de nacionais, comprar o mínimo de materiais, máquinas e equipamentos no país, não desenvolver tecnologia e realizar projetos de Engenharia, aqui, no Brasil. Além de praticar o superfaturamento de importações e subfaturamento de exportações, e a camuflagem da remessa de lucros através de assistências técnicas pagas à matriz no exterior.
- Mas, aumenta o pagamento de impostos no país.
- Aumenta. Entretanto, vamos tomar como exemplo o setor do petróleo. O Brasil é um dos países do mundo que menos taxa a produção de petróleo, em torno de 45% do valor da produção, enquanto existem países com taxações acima de 80% e a média mundial está em torno de 65%. Outra pergunta: por que tanto ódio ao PT?
- O PT roubou! Você acha isso pouco?
- Não é pouco! Mas, o partido, como um todo, roubou? Ou foram alguns de seus integrantes? Assim como integrantes de outros partidos também roubaram.
- Mas, foram integrantes da direção do PT!
- Nem todos os integrantes da sua direção. E os partidos, que hoje estão no poder, são compostos de vestais?
- Têm ladrões neles também. Mas vão ser todos pegos, sem exceção.
Neste ponto, o rapaz fica pensativo e, após alguns segundos, volta a falar:
- Confesso ao senhor que esta entrevista está saindo toda errada, pois eu não deveria discutir com o senhor. Um jornalista deve fazer perguntas que obrigam o entrevistado a se revelar. Nunca partir para uma discussão. Desculpe-me.
- Não, pode colocar os seus argumentos. Eu gosto de ouvir argumentos contrários ao meu pensamento, desde que sejam lógicos e não agressivos. Você nem me chamou de “coxinha”!
- Não sei como vou resolver a questão da entrevista, mas quero colocar mais um ponto. Acho que o senhor é um tanto esperançoso ao pensar que os ladrões de outros partidos vão ser presos? O senhor acha que o Aécio vai ser pelo menos investigado? Ele foi citado em seis delações e nada é feito. Não estão faltando representantes da Justiça dispostos a reconhecer os erros de integrantes do PSDB?
- Eu concordo com você. Não se pode perseguir só um partido! Mas, você acha que existe um complô da Polícia Federal, Procuradoria Geral e Justiça, cujo intuito é só destruir o PT? A concentração no PT não será porque identificaram neste partido muitos corruptos?
- O senhor esqueceu a mídia como integrante do complô. Este complô existe. Por outro lado, tais integrantes não estariam deixando os bandidos de outros partidos para depois que passar no Congresso uma lei que dará anistia para quem fez roubos no passado? O argumento para tal perdão será que “se continuar a caça às bruxas, o mundo político irá se desestabilizar e, sem a política, nada avança na sociedade”.
- O maior fator de desestabilização da política é deixar o ex-presidente Lula impune e solto.
- Não me diga que o senhor acredita que Lula é corrupto! Se ele tivesse sido corrupto, teria sido burro também porque, com o roubo, ele poderia ter um patrimônio muito maior do que o que tem hoje.
- Ele é daqueles que é impossível encontrar fluxo de grana para seu patrimônio, mas ele tem tudo em nome de terceiros. Além disso, deixou outros roubarem.
- Agora, o senhor extrapolou. Virou estação repetidora da Globo. Os acusadores de Lula deviam ter mais respeito por ele, o cidadão que prolongou a vida de milhões. O senhor é uma daquelas pessoas que teve oportunidades na vida, neste mundo sem igualdade de oportunidades. Está certo que o senhor teve o mérito de aproveitar o “cavalo encilhado que passou na sua frente”.
Neste ponto, o universitário ficou pensativo e, depois de algum tempo, retornou:
- Posso lhe pedir que faça um exercício de abstração comigo?
- Bem, esta entrevista está sendo tão inusitada! E, por que não faria?
- Será melhor se o senhor fechar o olho. Imagine a si próprio como uma criança. O senhor é preto. Sua família consiste do senhor, seus irmãos e sua mãe. Vocês moram em um barraco na encosta do morro. Uma vala negra mal cheirosa passa ao lado do barraco. A figura feminina que lhe dá comida passa o dia longe e vocês ficam em casa com a filha da vizinha que tem 13 anos tomando conta. Você tem sempre fome. A comida quando chega não esgota a fome. Dois de seus irmãos maiores lhe batem e roubam a comida que a mãe de vocês deixa para todos. Na sua cabeça infantil, você quer entender a razão de tudo isso. Você está cansado de tanto sofrer, mas não sabe se expressar. A sua feição é de dor. Você nunca sorri. A partir de determinado momento, sua mãe começa a trazer para casa mais comida. Ela própria está sorrindo, coisa que raramente você via. Depois uns homens trazem um armário grande que tem frio dentro. Sua mãe é a própria expressão da alegria. Ela já pensa em arrumar os dentes dela. Só é estranho porque apareceu um homem dizendo que era seu pai, mas sua mãe o botou para correr.
Abrindo os olhos, o professor diz:
- Sim, já entendi. Mas, aonde você quer chegar?
- Quero chegar ao ponto que ninguém ouve depoimentos como estes. Podem ser 32 milhões de depoimentos deste tipo. Mas, os potenciais depoentes não sabem se expressar e, além disso, são politicamente fracos, o que não traz ninguém para ouvi-los. Por outro lado, os meios de comunicação endeusam o carrasco que ceifa o emprego de milhares de brasileiros em nome de uma moralidade seletiva, em que a lei só é aplicada para os inimigos, enquanto para os amigos, há um prestimoso esquecimento. E a verdade dura de ser ouvida pelos representantes da nossa oligarquia e do capital externo é que o responsável por essa melhoria das condições de vida da população pobre é o presidente Lula. Com esta abstração, busco comunicar o possível depoimento de um antigo “com fome”, se ele conseguisse falar.
- Mas, você é contra a apuração da corrupção?
- Que se apure a corrupção onde quer que ela ocorra. Mas, que não se enxovalhe um homem de bem e com sensibilidade humana, como tentaram fazer com Getúlio Vargas.
A entrevista acabou. Ambos agradeceram a sinceridade do outro e o rapaz concluiu:
- Além de tudo, o senhor é muito educado. Não me chamou de “petralha” nenhuma vez.

17 setembro 2016

Dominação

Paulo Metri – conselheiro do Clube de Engenharia

Ela explica diversas ações de seres e grupos humanos, sociedades e países, visando, muitas vezes, o acumulo de riqueza e poder. O interesse, no momento, é pela dominação de sociedades e países. Para dominar, falsifica-se a verdade, esconde-se a informação, manipula-se emocionalmente o outro ser e muito mais. Pode-se até incluir a imposição física da vontade. A dominação necessita, por um lado, a existência de um ser mal formado, capaz de induzir sofrimento a seu semelhante sem o mínimo constrangimento, e do outro, um ser frágil, incapaz de cuidar de si próprio, despreparado para a vida agressiva existente.
O sistema de competição entre humanos é indutor da dominação. Quem nasce com a capacidade de sobressair na competição da vida, se acha no direito de dominar e explorar quem não tem a mesma capacidade, o que unicamente demonstra o estágio de atraso da humanidade. Este raciocínio foi utilizado, durante séculos, para aliviar a culpa de quem apoiava a escravidão. Não há perdão para quem domina o menos preparado para a “competição” para explorá-lo.
Argumentos são criados no liberalismo para justificar a exploração, como: “deve haver igualdade inicial de oportunidades e, depois, que vença o mais esforçado, o mais apto”, quando nunca há igualdade de oportunidades, exatamente porque os dominadores não querem que ela exista. Basta ver a oposição ao sistema de cotas. Neste ponto, o liberal coloca difusamente a culpa no governo, porque “ele não garante a igualdade”. Chega a ser agressiva a afirmação dos liberais que “os pobres estão nesta condição porque são preguiçosos”. Trata-se de colocar a culpa do crime na própria vítima.
Os dominadores são mestres na sua arte. Políticos de direita são dominadores natos e, como tal, conseguem, com auxilio da mídia, colocar o pobre, prova concreta do sistema injusto de repartição da renda e riqueza, para votar contra seus próprios interesses e a favor do interesse dos seus abastados dominadores. O papel da mídia no Brasil é abominável. Aqui, nunca se conseguirá construir uma sociedade justa com esta mídia de direita, agente do capital internacional, que não informa corretamente, pois não informa todos os ângulos de uma notícia e, com isso, não ajuda a conscientizar politicamente a população.
A mídia brasileira doutrina, uma vez que repete “suas verdades” à exaustão para torná-las verdadeiras. Muitas pessoas aceitam a doutrinação midiática e se transformam em estações repetidoras das inverdades, inclusive sem a busca de compensações materiais. Esta mídia possui seu dogma máximo: “não se pode tolher a liberdade de expressão”, significando que “não se pode ter visões diferentes da dela”. Assim, a “liberdade de expressão” para ela consiste em ter a liberdade de manipular sem contestação.
Dilma sofreu um impeachment por fazer atos que governantes anteriores fizeram e os posteriores continuarão a fazer. Mas a maioria da população, dominada que é, acredita que só ela cometeu abomináveis crimes, se bem que nem 1% da população sabe dizer o que são “pedaladas fiscais”. Ela sofreu um golpe bem arquitetado pela mídia, por políticos bandidos, que se elegem graças à manipulação eleitoral, por um judiciário compactuado com poderosos e pelo capital internacional, que tem interesses de espoliação, com o beneplácito de países estrangeiros e suas agências de inteligência. A direita estava acuada, há anos, devido às derrotas eleitorais sucessivas, apesar de toda manipulação eleitoral que sempre buscou. Contudo, com o complô descrito, os entes citados estão detendo o poder e buscam detê-lo por longo prazo.
Depois que afanaram o poder, que tinha sido conquistado por Dilma com 54 milhões de votos, e como era de se esperar de quem não tem respaldo popular, os golpistas agora são obrigados a pagar os custos do golpe, ou seja, os compromissos assumidos com os apoiadores. Assim, Temer deve a seus patrocinadores a entrega de muitas das nossas riquezas e um Brasil pronto para ser explorado. Neste quadro, causam-me nojo os asseclas nacionais, que prejudicam seu próprio povo e se contentam com as migalhas deixadas pelo capital internacional. As forças antipovo iniciam, neste momento, um processo de dominação, que esperam que seja profundo e continuado. Mas o nacionalismo pode atrapalhar este objetivo e interromper a pilhagem. O vírus do nacionalismo é inoculado em cada brasileiro ao nascer e se torna ativo quando brota nos corações a constatação de que está sendo dominado e explorado.
Temer quer mostrar competência na entrega de concessões, de privatizações, de ativos das estatais etc. Por isso, age rapidamente na dilapidação da pátria enquanto o brasileiro não acorda. O butim começou e o alvoroço entre os comensais é enorme. Engalfinham-se à mesa, todos querendo uma fatia maior do Brasil. Cada barril de petróleo de Carcará foi vendido à estatal norueguesa de petróleo, Statoil, pelo preço de uma garrafa de água mineral. Busca-se desestruturar tudo, pois em um país desestruturado fica mais fácil a usurpação. Nem Fernando Henrique, liberal e entreguista confesso, conseguiu desestruturar tanto em oito anos quanto Temer mostra que irá fazer em dois anos. A maldade extrema deste governo, se não for barrada, será manipulada por marqueteiros e a mídia, e o brasileiro não entenderá a desgraça que lhe impuseram.
Com este grau de intenções entreguistas, o brasileiro, se não se mexer, será um ser inferior no contexto mundial. A grande pergunta é como se contrapor a esta situação. Os movimentos sociais devem ficar em constante mobilização enquanto os golpistas estiverem no poder, com manifestações a favor das eleições diretas já para presidente, contra toda e qualquer entrega de patrimônio e de diminuição dos benefícios sociais. Não se deve dar trégua ao usurpador e à sua gangue. Toda e qualquer brecha jurídica que dê possibilidade de colocação de processos judiciais, visando a correção dos desatinos em curso, devem ser impetrados. Por exemplo, sabe-se que o argumento do preço vil seria possível de ser sustentado para se contrapor à venda de parte de Carcará para a Statoil.
Seria oportuno alertar ao capital estrangeiro que, se quiser arrematar um patrimônio nacional por preço de banana, não o faça, mesmo que o atual governo diga que a transação é juridicamente perfeita. À medida que a normalidade retornar ao país, depois que Temer sair do poder, todas as negociatas, nas quais bens foram arrematados fora do interesse social, serão revistas. Este é o problema quando se negocia com governantes ilegítimos.
Os homens e mulheres de bem, não importando o posicionamento político, devem se unir para desbancar o intruso, porque o que está em jogo é nada menos que o futuro da nação Brasil. Não se assuste se você não gosta de bandeira vermelha nas manifestações. Leve a sua de qualquer cor, desde que você seja um “ser de bem”. Temos que reconhecer que os donos das bandeiras vermelhas foram os primeiros que identificaram o golpe dos “maus caráteres”.
Tantos heróis nacionais lutaram para permitir ao Brasil um lugar no conjunto de nações independentes, para um impostor o colocar como colônia de país estrangeiro, quintal onde sua população é humilhada. Agora, todos os brasileiros vão, não só tirar os sapatos nos aeroportos do mundo, mas também ficar nus para inspeções. É isto que fazem com povos inferiores de colônias. Não consigo acabar este artigo porque as maldades deste sistema opressor são tantas e tão frequentes que é difícil esquecer a última edição delas.
Não gosto de fazer citações religiosas até porque são oportunistas, mas o fato de Lula estar muito acima dos homens que hoje o julgam lembra Jesus Cristo sendo julgado pelo bando de exploradores de então. Jesus é cultuado 2.000 anos depois da sua morte. Dos seus algozes, só é lembrado o anti-herói Judas, que serve para ser malhado e queimado em todo sábado de aleluia. Pena que Temer não deverá viver mais muitos anos porque ele descobriria que foi eliminado da Historia do Brasil, enquanto o não culpado, mas convictamente condenado, Lula, será considerado o melhor presidente da Historia do nosso país.  
Uma última mensagem é dedicada aos militares brasileiros. Sempre os tratei com o merecido respeito por serem os guardiões das armas, posição que requer o máximo equilíbrio. Já escrevi que é sábio o Artigo 142 do atual texto constitucional, que subordina algumas das ações dos militares, especificamente as de garantia da lei e da ordem, à iniciativa dos poderes constitucionais. Devido a este texto, o julgamento se a lei e a ordem estão sendo transgredidas foi retirado dos próprios militares.
Em 1964, sem analisar os diversos acontecimentos de então, afirmo que os militares foram motivados também pela atração que a detenção do poder tem. O artigo constitucional citado coíbe a iniciativa das Forças Armadas de usurparem o poder. No entanto, o evento Temer está a nos mostrar que o texto constitucional ainda está incompleto. Quando o titular do Executivo e a maioria dos componentes do Legislativo querem deixar que estrangeiros dilapidem o país e o nosso povo seja massacrado com leis de exclusão social, as Forças Armadas devem permanecer de braços cruzados?
Vou dar um exemplo para transmitir o que estou querendo dizer. Suponha-se que todos os grandes campos de petróleo do pré-sal sejam vendidos de forma idêntica como ocorreu com a “doação” de Carcará à Statoil. Para que teria servido o esforço imenso da Marinha brasileira de construir um submarino nuclear? Teria sido para a nossa Marinha proteger a ida dos navios estrangeiros abarrotados do nosso petróleo para mover as economias de países estrangeiros deixando aqui só os royalties? Certamente, a arrecadação deste tributo não é a melhor e nem a única forma de se usufruir com o que esta riqueza proporciona.
Teria que haver uma brecha constitucional para as Forças Armadas, sem tomarem o poder, passarem a ser também as guardiãs dos aspectos positivos do nacionalismo, até para elas se contraporem ao “entreguismo” escrachado da mídia existente. O representante delas poderia ter que ser ouvido, com poder de veto, em qualquer ação que representasse a desnacionalização ou algum impacto na soberania nacional.

29 agosto 2016

Sobre a publicação "Reunião na CIA em janeiro de 2015"

Caros Leitores

Muitos dos Senhores e das Senhoras perguntaram-me se a reunião do artigo mencionado ocorreu realmente. Eu respondo: "Que eu saiba não! Não é do meu conhecimento que uma reunião tal qual esta tenha acontecido!"

No entanto, muitos dos Senhores e das Senhoras, apesar de terem achado a história inusitada, não a acharam totalmente impossível, ou seja, a consideraram como uma hipótese plausível. Tanto que me perguntaram se ela era verídica.

Assim, meu intento foi conseguido, ou seja, consegui alertá-los para que outros países, aliados a forças políticas nacionais, podem ter o interesse de dominar o poder no Brasil para usufruírem das nossas riquezas.

Paulo Metri

28 agosto 2016

Reunião na CIA em janeiro de 2015

Paulo Metri – conselheiro do Clube de Engenharia

Em uma sala de reuniões ampla, com cortinas fechadas em um de seus lados, vê-se no centro da sala, uma mesa retangular em torno da qual estão umas vinte pessoas acomodadas em cadeiras confortáveis. Cada pessoa tem à sua frente um mesmo dossiê. O cidadão da cabeceira começa a falar.
- Não serão feitas apresentações e não precisam se identificar ao falar. Todos sabem do que iremos tratar. Por favor, comece.
Esta última frase é dita enquanto olha para o cidadão ao seu lado. Este toma a palavra.
- Hoje, o Brasil não é somente um mercado para o consumo dos bens e serviços das nossas empresas, além de um grande fornecedor de grãos e minérios de baixo valor no mercado internacional. Com a descoberta por parte deles da enorme jazida do Pré-Sal, mais as novas províncias petrolíferas, que ainda irão ser descobertas, na área que os nacionalistas brasileiros chamam de território marítimo brasileiro, que vai além do seu mar territorial, o Brasil poderá se tornar o maior exportador mundial de petróleo, acima da Arábia Saudita e da Venezuela.
- Os nativos sabem disso?
- Não. A grande massa não sabe de nada. Pouquíssimos brasileiros nacionalistas sabem. Alguns dos nossos aliados no país sabem da possível extensão das províncias petrolíferas que o país possui, porque os informamos. Mas só demos estas informações aos confiáveis.
Neste ponto, o coordenador interrompe a apresentação para dizer:
- Seria melhor se as perguntas fossem anotadas e feitas no final. Continue, por favor.
- Creio que todos aqui sabem que o petróleo ainda será vital para as economias mundiais por no mínimo uns 50 anos, os desenvolvimentos tecnológicos para fornecimento de calor e movimento para as sociedades não encontrarão competidores em custo com os derivados de petróleo, a menos que restrições ambientais sejam impostas. Sumariamente, o petróleo continuará sendo um insumo essencial para as economias mundiais. Além disso, o petróleo do Brasil terá papel primordial no futuro do mercado internacional de petróleo, porque no resto do globo só ocorrerão descobertas de petróleo caro e, quando for de petróleo acessível, elas serão em regiões conflituosas.
O coordenador da reunião agradece a exposição do último interlocutor e passa a palavra a outro presente, dizendo:
- Assim, chegamos ao objetivo principal da nossa reunião. Tenha a palavra.
- Ocorreu recentemente, no final de 2014, a eleição para presidente do Brasil e, apesar de todos os esforços por nós despendidos, que não foram poucos, a presidente Dilma foi reeleita. Não vou fazer uma análise profunda do que ocorreu, para não roubar tempo do que é principal para este reunião. Mas, faço questão de frisar, até porque será útil para qualquer ação futura nossa, que existe no Brasil hoje um fator que nos desestabiliza. Trata-se do ex-presidente Lula. Ele é um fenômeno na capacidade de comunicação com as massas e, hoje, é muito mais perigoso que no passado. Nós erramos em 2002, quando dissemos que não importaria, se ele ganhasse a Presidência naquele ano. Não imaginávamos que o Lula de 2002 evoluiria para um político que valoriza o nacionalismo. Possivelmente, o contato com lideres da China, Rússia, Índia e de outros países, a interferência do seu chanceler Celso Amorim e o entendimento da riqueza que representa o Pré-Sal o levaram a ser mais consciente da questão geopolítica.
- Encaminhe a nossa proposta de reversão desta perda eleitoral. É preciso deixar claro que para nós é inconcebível o Pré-Sal não ficar aberto a nossas empresas.
- Obviamente, temos que recuperar o poder para as nossas mãos. Um golpe através dos militares não é mais viável porque, primeiro, eles saíram muito marcados do período recente em que estiveram no poder, pois a população guarda lembrança de torturas e assassinatos de lideranças neste período e, em segundo lugar, não sabemos ao certo como pensa, atualmente, o militar brasileiro. Temos a nosso dispor para ajudar em qualquer projeto que decidirmos a mídia comercial local, que é nossa, o empresariado brasileiro, com raríssimas exceções, a grande maioria dos políticos do país, que são sem escrúpulos e corruptíveis. Temos também parcela do judiciário local, que é uma casta complexa em que residem egos avantajados. Temos uma arma secreta que é o treinamento de pessoal da Justiça e de ocupantes do Ministério da Justiça aqui, conosco. O mote para nossas ações a ser transmitido para todos os brasileiros será a luta contra a corrupção. A verdade é que a corrupção vem acontecendo no Brasil há anos. Por exemplo, somos conhecedores da corrupção dentro da Petrobras desde o governo de Fernando Henrique Cardoso, mas, se tivermos que entregar a nossos aliados no Brasil, divulgaremos só os fatos dos períodos Lula e Dilma. Aliás, um ponto que precisa ser providenciado urgentemente é quebrar esta empresa, por tudo que ela representa. Ela é o próprio “vírus” nacionalista. Não podemos deixar no Brasil uma concorrente das nossas empresas querendo roubar o Pré-Sal de nós. O pior que pode nos acontecer é nosso plano ser identificado como contrário aos interesses brasileiros. Não se pode deixar o sentimento nacionalista brotar. Por isso, é recomendável não se aliar a ninguém que tenha algum compromisso nacionalista por mínimo que seja, a menos de torcer pela seleção de futebol do Brasil. Devemos reconhecer que o período neoliberal globalizante, cujo auge foi durante o governo de Fernando Henrique, alijou quase por completo qualquer sentimento nacionalista. Trabalhamos bem, então. A partir daí, o nacionalismo foi vinculado ao atraso, ao passado distante e ao autoritarismo. Depois desta época, candidatos têm procurado reabilitar as teses nacionalistas, mas têm sido massacrados nas eleições. Naquela época, o brasileiro “foi conquistado”, em grande parte graças à nossa mídia “brasileira”, que nos ajuda muito.
- Acabou, Greg? Porque creio que chegou a hora de falarmos dos suportes financeiros para as ações que desenvolveremos. Antes, é preciso deixar claro que todas as ações de inteligência e o suporte das embaixadas serão dados sem custo algum. Mesmo o custo para corromper será rateado entre as nossas empresas beneficiadas e o nosso governo. Falará, agora, nosso especialista em compor estruturas de financiamento de projetos.
- Obrigado. Representantes de todas as grandes empresas com interesses econômicos no Brasil foram chamadas. Trata-se de investir neste projeto, agora, para podermos usufruir principalmente de recursos minerais a preços baixos por horizonte confortável, alem de usufruir com a venda de nossos produtos no mercado brasileiro. Obviamente, não há certeza absoluta do sucesso do projeto, mas se trabalharmos de forma inteligente sem nos atrapalharmos, a grande probabilidade é que, logo, logo, fecharemos contratos de 30 a 40 anos que serão usados para garantir o processo de dominação. A qualquer época, eles serão acenados como contratos juridicamente perfeitos que precisam ser honrados. As petrolíferas, por serem grandes beneficiárias, serão as que contribuirão com maiores parcelas. Não vamos entrar em detalhes agora. Mas este material está à disposição das empresas. A boa notícia é que os deputados e senadores brasileiros eleitos junto com a presidente Dilma, na sua maioria, são nossos e não foram baratos para nós. Inclusive esta “compra” já foi feita e os senhores não precisam mais contribuir. A partir de agora, sabemos que, para cada projeto específico, eles serão favoráveis, bastando acertar algum valor adicional. O grande projeto de retirada do poder das mãos de Dilma e entrega a pessoa de nossa confiança ainda está sendo planejado. Tudo leva a crer que será uma obra intrincada envolvendo o Judiciário, Ministérios do governo, a mídia comercial, políticos das duas Casas do Congresso do Brasil e movimentos sociais financiados por nós. Contudo, a mídia terá o papel principal, pois irá gerar a novela da deposição da presidente, consistente e compreensível pelo grande público.
- Muito bem. Acho que chegamos ao fim da reunião. Comunicaremos sempre fatos relevantes. Quaisquer informações que tenham, por favor, nos passem. Este processo será um pouco demorado. Leiam os jornais e tudo que inocentemente acontecer podem ter certeza que foi providenciado.